Dois verbos, um contra o outro

Folha da metade que costuma ser pulada

Um engenheiro aposentado dizia que nunca teve dificuldade com a primeira metade do versículo 5 — confiar soava piedoso e custava pouco. A segunda metade era outra história: parar de se apoiar no próprio entendimento parecia pedir a demissão da ferramenta com que ele ganhara a vida. Foi só ao anotar o versículo neste formato de caderno que ele viu o que o texto realmente opõe.

Provérbios 3:5 põe dois verbos um contra o outro, e Matthew Henry a lê nessa linha de fratura: um movimento para fora, outro para dentro.

Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. Provérbios 3:5 · Almeida Revista e Corrigida

O movimento para fora

Confiar começa como um juízo sobre quem governa o mundo — assegurando-nos da extensão da sua providência sobre todas as criaturas e sobre todas as ações delas — e termina em entrega: devemos, com inteira submissão e satisfação, depender dele para que faça todas as coisas por nós. Apoiar-se é essa mesma energia apontada para o lado errado, diagnosticada dois versículos adiante.

Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal. Provérbios 3:7 · ARC — o diagnóstico, dois versículos depois

O nome da doença

Não há inimigo maior do poder da religião, e do temor de Deus no coração, do que a presunção da nossa própria sabedoria, escreve Henry; o sintoma é o desdém, não o erro — Os que têm uma opinião elevada da própria suficiência julgam que está abaixo deles, e que os rebaixa, pautar-se pelas regras da religião, e muito mais deixar-se limitar por elas. A cura não é a ignorância: os que temem a Deus são verdadeiramente sábios, mas de um modo que nega a si mesmo, e não sábios a seus próprios olhos.

Vale guardar o versículo 5 onde a decisão da semana vai encontrá-lo.

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O movimento vira prática

Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Provérbios 3:6 · ARC — a prática e a promessa

O versículo 6 torna esse movimento prático. Crer que a providência existe não é o essencial, mas devemos reconhecê-la solenemente e dirigir-nos a ele em conformidade — as nossas conclusões também vão para revisão: Devemos remeter-nos a ele como àquele de quem procede o nosso juízo. A promessa responde às duas metades: Deus dá a sabedoria que mantém os seus longe dos atalhos do pecado, e depois ele mesmo há de ordenar o desfecho com tal sabedoria que este será conforme o desejo deles.

A folha seguinte fica com a promessa: o que significa ter as veredas endireitadas →